‘Mad men’, quinta temporada

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A quinta temporada de “Mad men” está no ar na HBO e você não pode perder. A Sterling Cooper Draper Pryce continua refletindo a América multicultural em construção. Passada a Marcha pelos Direitos Civis, a secretária de Don Draper agora é uma moça negra; o passo seguinte na agência é a contratação de um jovem talento judeu, Ginsberg, com direito até a uma breve referência ao poeta. A citação soa irônica, já que o mundo da publicidade é praticamente uma oposição ao ideário beat. O garoto ganha o posto, explica Roger (John Slattery), “porque agora é moderno empregar judeus, todas as empresas estão fazendo isso”. Na cena seguinte à da sua aceitação na firma — e, consequentemente, no seio dessa América generosa —, o rapaz chega em casa e é recebido pelo pai, um imigrante do leste europeu com sotaque carregado, que o abençoa em hebraico. É essa nação margeada por estrangeiros que “Mad men” também continua retratando. Outra fronteira bem presente na temporada é aquela que separa a contracultura e a rebeldia do rock do jeitão mais careta dos engravatados da Madison Avenue. Ela é muito bem reproduzida num episódio em que Don Draper (Jon Hamm) tenta, sem sucesso, chegar ao camarim dos Rolling Stones em Nova York. No backstage, ele parece envelhecido e desconfortável em contraste com as fãs adolescentes que fumam baseados enquanto esperam seus ídolos.

E Betty Francis (January Jones) reaparece em cenas melancólicas. Com o feminismo ainda se instalando, ela é uma daquelas representantes daquele mundo em extinção das princesas da pré-revolução sexual. Até sua estampa de Grace Kelly se desmanchou. Betty engordou e se entrega sem reservas a potes de sorvete e a pacotes inteiros de batatas fritas. O subúrbio das esposas e da vida doméstica é mais uma fronteira que volta com força a ilustrar a série nessa temporada. A atriz ganhou peso na vida real por causa de uma gravidez, e o resultado no ar impressiona.

“Mad men” continua puxado por um enredo sem pressa nem grandes acontecimentos e monta o painel completo de uma época. Isso sem falar, claro, naquele desfile de figurinos deslumbrantes.

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